quarta-feira, 26 de abril de 2017

FRUTICULTURA

FRUTICULTURA


O elixir da longa vida?

O blueberry tem mercado pequeno, custa caro e não é exatamente uma delícia. Mas produtor aposta que propriedades terapêuticas da fruta ainda lhe renderão muito dinheiro

TEXTO SUELY GONÇALVES
FOTOS ERNESTO DE SOUZA


'Bru o quê?' O rapaz que empurra a bicicleta pela empinada trilha que leva à Fazenda St. Clair, em Campos do Jordão, SP, enrola a língua e não encontra jeito de pronunciar o nome da frutinha que é plantada por lá. 'Sei não, nunca comi, mas a fazenda fica onde a estrada acaba', responde com segurança.
Seguindo a indicação não há como errar. A trilha acaba mesmo a 1,9 mil metros de altitude. Para cima só as nuvens que escondem, na fria manhã de começo de outono, a plantação de blueberry, ou mirtilo, para quem quiser facilitar a pronúncia, ou ainda arándano, para torná-la mais latina.

Saint'Clair quer criar um pólo de produção de geléias, compotas,
suco e xarope
Ali, em um suave declive cortado por riachos, protegidos por uma coluna de pinheiros, crescem 2,5 mil pés da frutinha que, dizem, guarda os segredos da longevidade. Uma plantação suficiente para a retirada de dez toneladas por ano. Mas a produção em larga escala não é exatamente a prioridade do publicitário Saint'Clair de Vasconcelos, que adquiriu há 5 anos uma área de 360 hectares no meio das nuvens. O que ele está implantando ali é uma central de mudas certificadas e fiscalizadas pela defesa agropecuária da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Há na central 3 mil mudas, todas descendentes de matrizes submetidas a melhoramento genético, prontas para serem transferidas para o campo. Outras 30 mil estão sendo preparadas. 'Livres de defensivos químicos e fertilizantes sintéticos', avisa logo Luiz Alberto Cardozo de Mello, agrônomo responsável pelo projeto.
Mas o que leva um investidor a aplicar cerca de 40 mil reais por hectare no cultivo de uma fruta solenemente ignorada pelo mercado interno? O sabor do blueberry, concordam os conhecedores, também não seria motivo suficiente. Trincada entre os dentes, a frutinha minúscula (não passa de 4 gramas), de um forte tom azul-marinho, deixa na boca um gosto doce-ácido que lembra o da pitanga. Ou seria o de framboesa? Ou talvez da caipira gabiroba?
 

 
 
Empresa produz mudas certificadas e oferece garantia de produção
É que quem investe no cultivo do blueberry está de olho em suas qualidades terapêuticas. Rica em vitamina K, importante para a coagulação do sangue, para os ossos e rins, a frutinha foi objeto de estudo divulgado no 'Journal of Neurosciense'. Ratos 'idosos' alimentados com o equivalente para o homem a meia xícara de blueberry tiveram melhoria considerável no equilíbrio, na coordenação motora e na memória.
Consumida em forma de geléia, suco ou in natura seria uma poderosa arma contra o envelhecimento, atuando na prevenção de doenças cardiovasculares e de alguns tipos de câncer. Suas propriedades antioxidantes, apontadas por pesquisadores, mereceram extensa reportagem na revista americana 'Health'.
Cardozo de Mello garante que as mudas são livres de defensivos químicos
Fonte: http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC533007-1641,00.html
Mas o produtor Saint'Clair quer ir além. Desde que conheceu o blueberry em uma viagem ao Chile em 1989 ele teima em expandir o cultivo da fruta no Brasil. Escolheu as terras altas e frias de Campos do Jordão para por em prática seu plano de colocar à disposição do turista frutas exóticas próprias das regiões frias do planeta. Plantou ali as 150 mudas que trouxe do Chile dentro de uma mala, embrulhadas em jornal umedecido.
Em sua teimosia há ainda lugar para a participação de pequenos proprietários rurais da Serra da Mantiqueira. Saint'Clair está se preparando para criar um pólo de produção de blueberry que irá alimentar uma fábrica de geléias, compotas, xaropes, sucos e polpa congelada. 'Estamos dispostos a oferecer nosso know-how e assistência técnica para quem se interessar. Queremos gerar uma nova fonte de renda na região', afirma o publicitário, apostando alto na frutinha da longevidade.

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