terça-feira, 30 de julho de 2013

Arvore Frutífera Butiá

Butiá
Fruto comestível, com polpa suculenta, aromática e adocicada, muito apreciado pela fauna e pelo homem, o butiá ocorre, principalmente, no ambiente de cerrado, com ampla distribuição no Sudoeste de Goiás, mais especificamente no município de Jataí, que, pela abundância da área, recebeu a denominação popular de "palmeira-jataí".
Esses dados constam de pesquisa desenvolvida no Instituto do Trópico Subúmido (ITS) da Universidade Católica de Goiás e faz parte de um projeto maior, denominado "Estudo da germinação e desenvolvimento da família palmae nativas do Cerrado", coordenado pelo professor mestre Roberto Malheiros, que tem na sua equipe os pesquisadores geógrafos especialistas Teodorico de Lima Brito e Dircilene Rosa de Oliveira Gontijo.
Os resultados obtidos sobre a germinação de Butiá purpurancens foram alcançados após diversos experimentos desenvolvidos pelo pesquisador Teodorico de Lima Brito, que conseguiu um percentual de 25% após seis meses do plantio. Apesar do baixo percentual e do tempo gasto para germinação, o resultado foi festejado pelos pesquisadores, pois, até o momento, não se conhece nenhum trabalho sistematizado sobre a germinação dessa espécie.
O gênero Butiá abrange uma grande quantidade de espécies que compartilham certas características: caule simples, ereto e espesso, com cicatrizes dos restos dos pecíolos, resistente a geadas e fogo, folhas fortemente arqueadas e frutos comestíveis, com a polpa suculenta, aromática e adocicada, muito apreciado pela fauna do cerrado e pelo homem.
As espécies mais comuns na região dos cerrados são Butiá archeri (coquinho-do-campo), Butiá capitata (butiá azedo), Butiá paraguayensis, segundo o pesquisador Lorenzi. Outro pesquisador, Corrêa, descreve algumas das espécies citadas com o gênero "cocos", Cocos erisospalha, Cocos capitata e Cocos adorata, e as mesmas características já apresentadas.
Fonte: www2.ucg.br

domingo, 28 de julho de 2013

Arvores Frutíferas de Cereja

Cereja
cereja é uma fruta pequena, redonda e comumente vermelha (existem cerejas amarelas e roxas), muito apreciada na Europa.
No Brasil, há apenas plantações experimentais e, comumente, a cereja é vendida somente durante a época de Natal.
cereja pode ser classificada segundo seu grau de acidez. A doce, de polpa macia e suculenta, é servida ao natural, como sobremesa. A ácida, de polpa bem mais firme, é usada na fabricação de conservas, compotas e bebidas licorosas, como o kirsch, o cherry e o marasquino.
Contém proteínas, cálcio, ferro e vitaminas A, B e C. Quando consumida fresca, tem propriedades refrescantes, diuréticas e laxativas. Como a cereja é muito rica em tanino, podendo provocar problemas estomacais, não é aconselhavel consumir mais de 200 ou 300 g da fruta por dia.
As cerejas disponíveis no mercado são comercializadas em pequenas cestas ou em pacotes fechados, o que dificulta a escolha. Assim, há sempre alguma dificuldade em verificar se estão firmes, brilhantes e se a casca não tem manchas ou fendas.
É conveniente comprar cerejas que ainda tenham o cabinho, pois a falta dele indica que as frutas já foram colhidas há muito tempo. Também é possível comprar cerejas em conserva: cristalizadas, em compota (com ou sem caroço), em calda comum ou calda de marasquino ou em forma de geléia.
Elas não devem ser guardadas por muito tempo. Quando estão bem frescas, podem ser conservadas por uma semana na gaveta da geladeira ou em lugar seco e arejado.
Fonte: www.horti.com.br

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Arvores Frutíferas da Amazônia Açaí do Pará

Açaí-do-Pará (Euterpe oleracea Martius) e Açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Martius), duas fruteiras amazônicas de grande valor alimentar e comercial.
As duas espécies juntas, são grandes responsáveis pela criação de emprego e renda para as populações nas zonas rurais e áreas urbanas de pequenas cidades da Amazônia. 
Afonso Rabelo-Engenheiro Florestal
rabeloafonso@gmail.com
Atualmente na Amazônia brasileira são conhecidas pela ciência, quatro espécies de açaís, são elas:

1 – Nome científico - Euterpe catinga Wallace
Nomes vulgares: açaí-chumbinho ou açaí-da-caatinga
Ocorrência: região central e ocidental do Estado do Amazonas.

2 - Nome científico - Euterpe longebracteata Barb. Rodr.
Nomes vulgares: açaí-chumbo ou açaí-da-mata.
Ocorrência: Amazonas, Norte do Mato Grosso e costa ocidental do Estado do Pará.

– Nome científico - Euterpe oleracea Martius
Nomes vulgares: açaí, açaí-branco, açaí-do-Pará (nome comum mais utilizado), açaí-da-várzea, juçara ou palmiteiro.
Ocorrência: Amapá, Amazonas na costa oriental e demais regiões do Estado é cultivado, Maranhão, Pará e Tocantins.

4 - Nome científico - Euterpe precatoria Martius
Nomes vulgares: açaí-do-Amazonas (nome comum mais utilizado), açaí-da-mata, açaí-solteiro, açaí-da-terra-firme ou açaí-do-alto-Amazonas.
Ocorrência: Acre, Amazonas, Norte do Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima.

     No entanto, só duas espécies são exploradas comercialmente, o açaí-do-Amazonas(Euterpe precatoria Mart.) e o açaí-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.). A principal diferença entre os dois açaís, está no hábito de crescimento das plantas, o açaí-do-Amazonas apresenta-se de forma solitária não formando touceiras (apenas um por planta), enquanto que o açaí-do-Pará, a espécie forma touceiras (vários indivíduos na mesma planta). Assim sendo, quando falarmos de açaí ou de qualquer outra espécie, sempre é bom mencionar o nome vulgar mais conhecido e o nome científico atual.


1 - CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS DO AÇAÍ-DO-AMAZONAS
Euterpe precatoria Mart.

     O açaizeiro-do-Amazonas é uma palmeira monocaule nativa da Amazônia, podendo atingir até 25 metros de altura; possui estipe (caule) cilíndrico com 15-20cm de diâmetro, coloração cinza-escura, sem espinhos e com cicatrizes aneladas resultantes da queda das bainhas. É uma palmeira muito frequente no ecossistema amazônico, todavia, não forma populações adensadas como o açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.). Na floresta primária de terra firme, a maior abundância concentra-se em ecossistemas de vertente e baixio, contudo, nas florestas de solos mal drenados, próximos aos rios e lagos, possui eficiente mecanismo de dispersão natural e adaptação em solos encharcados, chegando a alcançar mais de 200 indivíduos por hectare, nesses ambientes (Figura 1A).

 Figura 1A. Hábito de crescimento solitário do açaizeiro-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.).

     O plantio do açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.) é quase inexpressivo, no entanto, sua exploração é basicamente extrativista e, compreende áreas de populações naturais encontradas principalmente em ecossistemas de terras baixas próximas de rios e lagos. Atualmente o grande mercado consumidor dessa fruteira é a cidade Manaus e os principais municípios produtores são: Cadajás, Caori, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru e Manaquiri. Estima-se que 90% do vinho do açaí consumido no primeiro semestre do ano em Manaus, seja derivado do açaí-do-Amazonas.

     Dados obtidos por Lehti (1991), citado Alice Castro (1992), a partir do vinho de açaí deEuterpe precatoria Mart. (açaí-do-Amazonas) vendido em Manaus, mostram valores interessantes para quantidade de ferro. Para comparação, a análise efetuada com couve (Brassica oleracea L.) cozida e consumida tradicionalmente nas saladas ou nas feijoadas e, apresentada como uma rica fonte de ferro, apontou valor de 2 mg/100g, enquanto que em 100g de açaí, indicou o valor de 3,9mg, ou seja, 1,9mg ou 49% mais ferro que na couve.

     A extração do palmito do açaizeiro-do-Amazonas em ambientes naturais não é recomendado, por ser uma palmeira de hábito solitário. No entanto, cultivos racionais do açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.) e da pupunheira (Bactris gasipaes Kunth), para produção do palmito, são considerados ecologicamente corretos e economicamente viáveis, pois reduzem a pressão sobre a da extração de palmito de outras palmeiras nativas, sobretudo, as do gênero Euterpe spp. como a juçara (Euterpe edulis Mart.), nativa da mata atlântica, e do próprio açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.), que é nativo da floresta amazônica.

     É uma fruteira de grande potencial econômico, em decorrência disso, é cultivada para produção de frutos em pequenos pomares, sítios e quintais residenciais, entretanto, por ser uma palmeira de bonita conformação e porte elegante, é cultivada também como planta ornamental em fachadas de prédios, casas e alguns condomínios da cidade de Manaus (Figura 1B).

 Figura 1B. Uso do açaizeiro-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.) como planta ornamental.

FRUTOS - São drupas de forma globosa, medindo de 1,1-1,2cm de comprimento, por 0,9-1,1cm de diâmetro e pesando em média, 1 (um) grama; apresentam epicarpo (casca) fino, liso e de coloração negro-arroxeada na maturidade; o mesocarpo (polpa) é pouco volumoso, possui coloração violácea e espessura pequena. O mesocarpo (polpa) e o epicarpo (casca) são os subprodutos dos frutos utilizados na preparação da polpa concentrada e do vinho, com rendimento ±20% em relação ao total do fruto. O vinho de açaí é considerado um alimento calórico e rico em pigmentos chamados antocianinas, que por sua vez têm função antioxidante e também ajudam na circulação sanguínea, além de possuírem reconhecidamente, considerados teores de fibras, lipídeos, proteínas, vitamina-E e minerais como cálcio, ferro, fósforo e potássio. Este vinho é consumido, basicamente, na forma tradicional com açúcar e farinha de tapioca, seu paladar é semelhante ao vinho do Euterpe oleracea Mart. (açaí-do-Pará), que juntos são considerados como principais alimentos das populações interioranas da região amazônica, contudo, a polpa concentrada ou desidratada é utilizada, sobretudo, na agroindústria na preparação de alimentos como: doces, geleias, licores, picolés, sorvetes, sucos, tortas, entre outros; e em laboratórios, na fabricação de vários tipos de cosméticos e medicamentos fitoterápicos (Figura 1C e 1D).

 Figura 1C. Infrutescência madura do açaizeiro-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.).

Figura 1D. Frutos inteiros e descerrados açaizeiro-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.).


 2 - CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS DO AÇAÍ-DO-PARÁ
Euterpe oleracea Mart.

     O açaizeiro-do-Pará é uma palmeira multicaule, constituída por 3 a 20 indivíduos de diferentes tamanhos nas touceiras, contudo, os mais velhos chegam a alcançar até 20 metros de altura. Os estipes (caules) são cilíndricos, medindo de 8 a 12cm de diâmetro, possuem superfície lisa, coloração cinzenta e cicatrizes aneladas resultantes das renovações das bainhas. A base do estipe é coberta por de raízes adventícias, as quais apresentam coloração avermelhada, em épocas chuvosas e cinzenta, nos períodos de estiagem. Por apresentar uma abscisão constante de folhas, aliada ao sistema radicular fasciculado e abundante e, com a presença de raízes adventícias, o açaí-do-Pará pode ser recomendado para proteção do solo, enriquecimento de matas ciliares, proteção de nascentes e prevenção contra assoreamento de rios, lagos e igarapés (Figura 2A).

 Figura 2A. Hábito de crescimento solitário do açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.).

     É nativo da Amazônia, tendo suas maiores populações concentradas nas florestas da Amazônia Oriental, principalmente, nos Estados do Pará, Amapá e Maranhão. Possui eficiente mecanismo de dispersão natural e adaptação a solos encharcados; em função disso, cresce de maneira espontânea, sobretudo, nas margens de pequenos rios, igarapés e em florestas de solos arenosos mal drenados, às vezes, formando populações quase homogêneas, no entanto, fora desses ambientes, a espécie é bastante vulnerável à estiagem, principalmente, quando cultivadas em canteiros dentro da zona urbana. Na Amazônia oriental, o açaí-do-Pará figura como a espécie mais promissora para o manejo sustentado de produtos florestais não madeireiros, visto que, a comercialização de seus subprodutos possibilitam geração de emprego, aumento de bens móveis e imóveis que, consequentemente promovem melhoria na qualidade de vida das população ribeirinhas. O açaizeiro-do-Pará atualmente é cultivado para produção de frutos como produto principal e palmito como secundário, por vários agricultores, sobretudo, no Estado do Pará. Entretanto, por ser bastante ornamental, é muito comum seu cultivo em quintais residenciais, fachadas de prédios e praças espalhadas por toda a Amazônia (Figura 2B).

 Figura 2B. Uso do açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.) como planta ornamental.

     Atualmente a cadeia produtiva do açaí-do-Pará emprega milhares de pessoas em mais de 50 municípios no Estado do Pará, com uma produção anual estimada em quase 600 mil toneladas de frutos (ano de 2010), sendo ±60% consumidas regionalmente, 25% exportados para a região Sudeste do Brasil e 15% para a Europa e Estados Unidos, onde possuem boa aceitação, figurando entre os frutos mais saborosas da atualidade nesses países

FRUTOS - Apresentam forma globosa, medindo de 1,2-1,5cm de comprimento por 1,1-1,6cm de diâmetro; o epicarpo (casca) é fino e liso, com coloração negro-arroxeado, no entanto algumas variedades podem apresentar ocasionalmente, frutos de coloração verde na maturidade; o mesocarpo (polpa) é pouco volumoso, possui coloração violácea e espessura em torno de 1mm. O mesocarpo (polpa) e o epicarpo (casca) são os subprodutos utilizados na obtenção da polpa concentrada e na preparação do vinho, porém são limitados, com rendimento ±15% em relação ao total do fruto. O vinho dessa espécie é considerado um alimento calórico e rico em pigmentos chamados antocianinas, que por sua vez, têm função antioxidante e também ajudam na circulação sanguínea, além de conter considerados teores de fibras, lipídeos, proteínas, vitamina-E e minerais como: cálcio, fósforo e potássio. O consumo do vinho do açaí-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.) é semelhante ao do açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.), no entanto, a polpa concentrada ou desidratada é utilizada na agroindústria para preparação de alimentos como: doces, geleias, licores, picolés, sorvetes, sucos, tortas, entre outros. Também é utilizada em laboratórios de cosméticos para fabricação de creme para cabelo, esfoliante, hidratante corporal, máscara capilar, sabonete líquido e em barra, xampu e condicionador, além de alguns medicamentos fitoterápicos (Figuras 2 C e 2D).

 Figura 2C. Infrutescência madura do açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.).

 Figura 2D. Frutos inteiros e descerrados açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.).

quarta-feira, 24 de julho de 2013

INAJÁ, FRUTEIRA AMAZÔNICA DE GRANDE POTENCIAL ALIMENTAR, INDUSTRIAL E PAISAGISTICO


É uma palmeira oleaginosa muito frequente e abundante na Amazônia, porém pouco conhecida e estudada, contudo, apresenta potencial para uso na alimentação, produção de cosméticos e energia renovável (biodiesel).

Afonso Rabelo-Engenheiro Florestal
rabeloafonso@gmail.com

NOMENCLATURA DA ESPÉCIE
Nome científico  Maximiliana maripa (Aubl.) Drude
Sinonímias – Attalea venatorum (Poepp. ex Mart.) Mart., Cocos venatorum Poepp. ex Mart.), Maximiliana regia Mart., Maximiliana stenocarpa Burret, Maximiliana venatorum(Poepp. ex Mart.) H. A. Wendland ex Kerchove, Palma maripa Aubl.
Família – Arecaceae.
Nomes vulgar – inajá.

Origem – Amazônia.

Distribuição – Bolívia, Colômbia, Equador, Guianas, Peru, Suriname, Trinidad e Tobago e Venezuela. No Brasil, ocorre nos Estados do Acre, Amazonas, região ocidental do Maranhão, norte do Mato Grosso, Pará, Roraima, Rondônia e Norte de Tocantins.

CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS

ÁRVORE – O inajazeiro nativo da Amazônia, é uma palmeira heliófila de terra firme, monocaule, podendo atingir até 25m de altura. Possui estipe (caule) aéreo, ereto e cilíndrico, medindo em média 35cm de diâmetro. Este estipe é liso nas plantas adultas, e cobertos por bainhas senescentes nas plantas jovens. Na superfície do solo próximo ao tronco da planta é comum a presença espatas, infrutescências velhas, sementes deterioradas e muitas plântulas.
     O inajá ocorre em todo o bioma amazônico, principalmente, nos Estados do Acre, Amazonas, região ocidental do Maranhão, norte do Mato Grosso, Pará, Roraima, Rondônia e norte de Tocantins. Nos Estados do Amazonas, Pará e Roraima, o inajazeiro é encontrado com grande frequência e abundância, especialmente em florestas de capoeiras, margens de estradas, pastagens degradadas e sobre alguns fragmentos de remanescentes florestais localizados dentro dos centros urbanos, nesses locais a palmeira tolera solos argilosos ou arenosos, bem drenados, úmidos ou secos. No entanto, em florestas primárias, apresenta baixa frequência e baixa abundância, sendo encontrado normalmente em alguns agrupamentos isolados sobre solos argilosos. Nesses ambientes são constituídos por alguns indivíduos adultos, e grande número de plântulas e plantas jovens na fase de crescimentos acaulescentes. Nessas florestas, quando ocorrem desmatamentos ou queimadas para preparação de roçados ou renovações de pastagens, tanto as plântulas, como indivíduos jovens, persistem nessas áreas, notadamente devido ao seu meristema apical, que na fase de plântulas e de crescimento acaulescente, permanecem abaixo do nível do solo, tolerando assim, o corte e suportando as queimadas. Depois desta fase, ocorre crescimento acelerado desses inajás em relação às outras plantas competidoras e, quando o processo é repetido periodicamente, pode resultar em populações homogêneas de inajazeiros nesses ambientes, tornando-se assim um grande obstáculo para a agropecuária. Após o estabelecimento em florestas degradadas, os inajás produzem frutos em grande abundância, evidentemente, por ser uma palmeira tolerante a pragas e doenças, bem como, suportar estiagens prolongadas, solos compactados, degradados e com baixa fertilidade. Os principais dispersores das sementes de inajás são: antas, araras, cutias, jabutis, macacos, pacas, porco-do-mato e tucanos (Figuras 1A e 1B).

 Figura 1A - Hábito de crescimento do inajá.

 Figura 1B - População de inajá em pastagens degradadas.

FOLHAS - A coroa foliar é composta por 14 a 18 folhas do tipo pindas, medindo até 10m de comprimento, e formadas por grupos de 2 e 4 folíolos opostos ou alternos espalhados em diferentes planos e distribuídos ao longo da raque (eixo central da folha). A bainha da folha é aberta, curta, com até 1,20m de comprimento e o pecíolo apresenta margem cortante, podendo alcança 3,4m de comprimento. Na coroa foliar, entre as bainhas novas e velhas, é comum a presença de insetos (besouros), de aracnídeos (aranhas e escorpiões), anfíbios (sapos), répteis (cobras), roedores (ratos e camundongos), marsupiais (mucuras) e plantas como: pteridófitas e orquídeas (Figuras 2A e 2B).

 Figura 2A - Detalhe da folha do inajá.

 Figura 2B - Folha do inajá, retratando grupos folíolos espalhados em diferentes planos.

INFLORESCÊNCIAS  São do tipo espigada, com localização intrafoliar, ou seja, entre as bainhas das folhas. Estas inflorescências são protegidas por uma espata grande de superfície inferior lisa e superior sulcada, sendo de textura rígida e pontiaguda na extremidade apical. Normalmente essas inflorescências são monoicas, as quais apresentam flores masculinas e femininas juntas na mesma inflorescência, sendo as femininas distribuídas na base do eixo e as masculinas nas extremidades. Todavia, podem ocorrer inflorescências exclusivamente estaminadas, contendo somente flores masculinas, ou apenas pistiladas, que contém unicamente flores femininas, e raramente, todas juntas na mesma planta. As flores estaminadas são constituídas por 3  sépalas, 3 pétalas e 6 estames e as flores pistiladas por 3 sépalas livres, 3 pétalas ovoides e estigma trífido (Figuras 3A e 3B).

 Figura 3A - Inflorescência monoica do inajá, flores femininas na base e masculinas no ápice.

 Figura 3B - Detalhe da inflorescência estaminada (masculina) do inajá.
  
FRUTOS – Apresentam formas ovoides ou oblongas, medindo de 4 a 5,5cm de comprimento por 2,5 a 3,0cm de diâmetro e pesando entre 15 e 30g cada. Nas extremidades dos frutos é comum a presença estigma velho na extremidade apical e do perianto na base. O epicarpo (casca) é fino, apresentando superfície levemente áspera, textura fibrosa, coloração marrom-ferrugíneo e pequena porção esbranquiçada extensão do ápice do fruto. O mesocarpo (polpa) possui rendimento de ±30% do total do fruto, apresenta coloração amarelo-claro e aroma forte, semelhante ao óleo de coco (Cocos nucifera L.). Este mesocarpo é constituído por uma camada pastosa-oleosa revestida por fibras, e dele pode ser extraído até 35% de rendimento em óleo. É comestível na forma in natura ou cozido, e o sabor é levemente adocicado e agradável, sendo um alimento bastante calórico e rico em fósforo, magnésio, proteínas e ácidos graxos essenciais, no entanto, algumas variedades podem apresentar sabores travosos e repugnantes. Além do potencial alimentar, o óleo extraído do mesocarpo (polpa), apresenta potencial para uso na culinária caseira, produção de cosméticos e bioenergia (Figuras 4A, 4B, 4C e 4D).

 Figura 4A - Detalhe das infrutescências do inajá.

 Figura 4B - Detalhe da infrutescência do inajá.

 Figura 4C - Detalhe dos frutos maduros do inajá.

 Figura 4D - Frutos inteiros e descerrados.

SEMENTES – Possuem o endocarpo duro, consistência lenhosa e 3 poros na região apical, sendo um germinativo. O endocarpo é constituído por superfície lisa, brilhante e, coloração marrom. No interior do endocarpo encontra-se as sementes (amêndoas) com tegumento fino, estriado e coloração castanho; o endosperma é abundante, possui coloração branca, textura sólida e oleosa; o número de amêndoas por fruto varia entre 1 e 3, no entanto pode ser encontrados frutos com até 4 sementes. O rendimento em óleo das amêndoas pode atingir até 60%. Os endospermas (amêndoas) podem ser consumidos na forma in natura, e quando moídos, na alimentação de animais domésticos, contudo, óleo extraído possui grande potencial para uso na culinária caseira, agroindústria, produção de cosméticos e biodiesel, quando misturado ao óleo diesel. As sementes do inajazeiro não devem ser armazenadas, pois, são recalcitrantes e bastantes contaminadas por besouros bruquídeos. O armazenamento das sementes, podem reduzir significativamente a taxa de germinação e promoverá o aumento da predação das amêndoas pelas larvas dos besouros bruquídeos, todavia, as larvas desses besouros podem ser usadas como alimento (Figura 5A).

 Figura 5A - Detalhe das sementes inteiras e descerradas do inajá.

OUTROS USOS DO INJAZEIRO – As árvores têm potencial para uso no paisagismo urbano, pois tolera solos secos, compactados e com baixa fertilidade (Figura 6A). As folhas novas ainda fechadas são usadas para coberturas de casas e confecções de abanos, cestas e chapéus. As espatas das inflorescências são usadas como porta brinquedos, porta flores, porta fruteira ou como porta ração e porta água para animais domésticos. As sementes têm grande potencial para fabricação de biojoias tais como: anéis, brincos, colares e pulseiras.

 Figura 6A - Uso da árvore do inajá no paisagismo.

terça-feira, 23 de julho de 2013

CAIAUÉ OU DENDÊ DA AMAZÔNIA, FRUTEIRA OLEAGINOSA POUCO CULTIVADA NA AMAZÔNIA


É uma palmeira oleaginosa pouco conhecida e estudada, mas com potencial alimentar, paisagístico e industrial.

Afonso Rabelo-Engenheiro Florestal
rabeloafonso@gmail.com

NOMENCLATURA DA ESPÉCIE

Nome científico  Elaeis oleifera (Kunth) Cortés
Sinonímias – Corozo oleifero (Kunth) L.H. Bailey
Família – Arecaceae.
Nomes vulgares – Caiaué (nome mais conhecido), dendê da Amazônia ou dendê-do-Pará.

Origem – Amazônia ou América Central.

Distribuição – Ocorre desde a América Central até o norte a América do Sul. No Brasil, ocorrem nas florestas dos Estados do Amazonas, Rondônia e Roraima.

CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS

ÁRVORE – O caiauezeiro é uma palmeira monoica, com porte baixo, podendo atingir até 7m de altura. Possui estipe (caule) solitário, curto e coberto por bainhas remanescentes nas plantas mais jovens e, inclinado ou rastejantes em plantas adultas. O caiaué ocorre desde a América Central até o norte da América do Sul e, no Brasil predomina nos Estados do Amazonas, Rondônia e Roraima, onde é encontrado naturalmente em pequenos grupos, predominando em áreas abertas ou no sub-bosque de florestas úmidas, próximos das margens de rios e lagos. Entretanto, em sítios arqueológicos sobre terra preta de índio, algumas populações de caiaué podem ser encontradas, as vezes associadas com outros vegetais de potencial econômico, e que foram cultivados pelos nossos antepassados, são eles: açaís, babaçu, cacau, castanha-do-Brasil, cupuaçu, tucumã e urucuri. Os principais dispersores das sementes do caiaué são: antas, cutias, pacas e porco-do-mato. Por ser uma palmeira de porte baixo, rústica, tolerante a solos com baixa fertilidade e apresentar resistência contra pragas e doenças, o caiaué está sendo usado no melhoramento genético do dendezeiro africano (Elaeis guineensis Jacq.) (Figuras 1A e 1B). 

 Figura 1 (A) - Hábito de crescimento do caiaué (Elaeis oleifera).

 Figura 1 (B) - Detalhe de uma população natural do caiaué (Elaeis oleifera).

 FOLHAS - A coroa foliar é composta por 7 até 30 folhas do tipo pinadas, medindo de 3 a 8m de comprimento; os folíolos possuem disposições alternas, não pendentes e o número varia de 46 a 85 pares, distribuídos ao longo da raque (eixo central da folha). As bainhas medindo até 40cm de comprimento são abertas, achatadas, curtas e fibrosas. Os pecíolos com até 2,5m de comprimento apresentam formas achatadas e margens serrilhadas compostas muitos espinhos curtos (parecidos com unhas de gato). Na coroa foliar, entre as bainhas senescentes e fibrosas é comum a presença de insetos (besouros), de aracnídeos (aranhas e escorpiões), anfíbios (sapos), répteis (cobras), roedores (ratos e camundongos), e plantas como: pteridófitas e araceaes (Figuras 2A e 2B).

 Figura 2 (A) - Detalhe dos folíolos com disposições alternas e não pendentes do caiaué (Elaeis oleifera).

 Figura 2 (B) - Detalhe dos pecíolos com margens serrilhadas e com muitos espinhos curtos do caiaué (Elaeis oleifera).

 INFLORESCÊNCIAS  São unissexuais, apresentando flores estaminadas (masculinas) e flores carpeladas (femininas), separadas em inflorescências diferentes, porém na mesma planta. As inflorescências estaminadas são vistosas e compostas por muitas ráquilas, no entanto, as inflorescências carpelares são do tipo espigada, envolvidas por fibras e escondidas entre as bainhas das folhas. As flores estaminadas (masculinas) são constituídas por 3  sépalas, 3 pétalas, 6 estames e um pistilódio pequeno (pistilo rudimentar e não funcional) envolvido pelo tubo estaminal; as flores carpelares são formadas por 3 sépalas, 3 pétalas, pistilo e estigma trífido (Figuras 3A).

 Figura 3 (A) - Detalhe da inflorescência masculina do caiaué (Elaeis oleifera).

 FRUTOS – São drupas com formas ovoides, globosas ou cilíndricas, medindo em média 3,8cm de comprimento por 2,4cm de diâmetro e pesando em média 12,2g. As extremidades dos frutos possuem resíduos do estigma velho na região apical e do perianto na base. O epicarpo (casca) apresenta textura fina, porém fibrosa e coloração laranja-escura-brilhante. O mesocarpo (polpa) com rendimento de ±35% do total do fruto, é constituído por uma camada fibrosa-oleosa, e dela pode ser extraído boa quantidade de óleo, conferindo a ele uma coloração alaranjada e aroma semelhante ao azeite de dendê. O fruto do caiaué é considerado como alimento calórico, rico em proteínas, gorduras, carboidratos e carotenoides, no entanto, não é consumido na forma in natura, todavia, o óleo extraído, apresenta potencial para ser usado na preparação de diversas iguarias, na produção de cosméticos para cabelos e para uso medicinal contra dores reumáticas (Figuras 4A e 4B).

 Figura 4 (A) - Detalhe da infrutescência madura do caiaué (Elaeis oleifera).

Figura 4 (B) - Detalhe dos frutos inteiros e descerrados nas formas transversais e longitudinais do caiaué (Elaeis oleifera).

 SEMENTES – Possuem o endocarpo duro, consistência lenhosa e 3 poros na região apical, sendo um germinativo. A superfície do endocarpo é levemente estriada, opaca e com coloração escura. O endosperma é constituído por tegumento fino, tecido de reserva (amêndoa) e embrião, apresenta consistência rígida, oleosa e coloração branca, contudo, quando moído pode ser usado na alimentação de galinhas e suínos, além disso, o óleo extraído possui grande potencial para uso na culinária caseira (Figura 5A).

 Figura 5 (A) - Detalhe das sementes inteiras e descerradas nas formas transversais e longitudinais do caiaué (Elaeis oleifera).

 OUTROS USOS DO CAIAUEZEIRO – As árvores têm potencial para uso no paisagismo urbano, podendo ser cultivado em jardins, parques botânicos, fachadas de prédios, margens de avenidas e praças, pois tolera solos argilosos, arenosos, secos, compactados e com baixa fertilidade. O caiaué é usado também na hibridização com o dendê (Elaeis guineensisJacq.), com objetivo de obter plantas de porte baixo, visando à diminuição dos custos de colheita dos cachos, além disso, híbridos resistentes a pragas e doenças que afetam a cultura do dendê africano (Figuras 6A e 6B).

 Figura 6 (A) - Uso do caiaué (Elaeis oleifera) como planta ornamental.



 Figura 6 (B) - Infutescência de um hibrido, caiaué (Elaeis oleifera) x dendê (Elaeis guineensis).

domingo, 21 de julho de 2013

Arvores Frutíferas Cacau

HISTÓRIA E EVOLUÇÃO

Quando os primeiros colonizadores espanhóis chegaram à América, o cacau já era cultivado pelos índios, principalmente os Astecas, no México, e os Maias, na América Central. De acordo com os historiadores, o cacaueiro, chamado cacahualt, era considerado sagrado. No México os Astecas acreditavam ser ele de origem divina e que o próprio profeta Quatzalcault ensinara ao povo como cultivá-lo tanto para o alimento como para embelezar os jardins da cidade de Talzitapec. Seu cultivo era acompanhado de solenes cerimônias religiosas.
Esse significado religioso provavelmente influenciou o botânico sueco Carolus Linneu (1707 – 1778), que denominou a planta de Theobroma cacao, chamando-a assim de “manjar dos deuses”.
Os índios consideravam as sementes de cacau tão valiosas que as usavam como moeda. Quatrocentos sementes valiam um countle e 8.000, um xiquipil. O imperador Montezuma costumava receber anualmente 200 xiquipils (1,6 milhões de sementes) como tributo da cidade de Tabasco, que corresponderiam hoje a aproximadamente 30 sacas de 60 quilos. Diz-se que até um bom escravo podia ser trocado por 100 sementes. Ainda sobre o uso do cacau como moeda, Peter Martyr da Algeria escrevia em 1530, no livro DE ORBE NOVO PETRI MARTYRES AB ALGERIA: “Abençoado dinheiro, que fornece uma doce bebida e é beneficio para a humanidade, protegendo os seus possuidores contra a infernal peste da cobiça, pois não pode ser acumulado muito tempo nem escondido nos subterrâneos”.

A Arvore dos frutos de ouro

Cacaueiro
cacaueiro é originário de regiões de floresta pluviais da América Tropical, onde até hoje, é encontrado em estado silvestre, desde o Peru até o México. É classificado do gênero Thebroma, familia das Esterculiáceas. Foi citado pela primeira vez na literatura botânica por Charles de l’ Ecluse, que a descreveu sob o nome de Cacao fructus. Em 1937, foi descrito como Theobroma fructus por Linneu, que em 1753 propôs o nome Theobroma cacao, que permanece até hoje.
Os botânicos acreditam que o cacau é originário das cabeceiras do rio Amazonas, tendo-se expandido em duas direções principais, originando dois grupos importantes: Criollo e Forastero. O Criollo, que se espalhou em direção ao norte, para o rio Orinoco, penetrando na América Central e Sul do México, produz frutos grandes, com superfície enrugada. Suas sementes são grandes, com o interior branco ou violeta pálido. Foi o tipo de cacau cultivado pelos índios Astecas e Maias.
O Forastero espalhou-se bacia amazônica abaixo e em direção às Guianas. É considerado o verdadeiro cacau brasileiro e se caracteriza por frutos ovóides, como superfície lisa, imperceptivelmente sulcada ou enrugada. O interior de suas sementes é violeta escuro ou, algumas vezes, quase preto.
Para se desenvolver melhor, o cacaueiro exige solos profundos e ricos e clima quente e úmido, com temperatura média de cerca de 25°C e precipitação anual entre 1.500 e 2.000 milímetros, sem períodos secos prolongados.

Longa Viagem

A medida que o cacau ia ganhando importância econômica com a expansão do consumo de chocolate, várias tentativas foram feitas visando à implantação da lavoura cacaueira em outras regiões com condições de clima e solo semelhantes às do seu habitat natural. Em conseqüência, as suas sementes foram se disseminando gradualmente pelo mundo. Em meados do século XVIII, o cacau tinha atingido o Sul da Bahia e, na Segunda metade do século XIX, foi levado para a África. As primeiras plantações africanas foram feitas por volta de 1855, nas ilhas de São Tomé e Príncipe, colônias portuguesas ao largo da costa ocidental africana.
Oficialmente, o cultivo do cacau começou no Brasil em 1679, através da Carta Régia que autorizava, os colonizadores a plantá-lo em suas terras.
Várias tentativas feitas no Pará para concretizar essa diretriz fracassaram principalmente por causa da pobreza dos solos daquela região. Apesar disso por volta de 1780, o Pará produzia mais de 100 arrobas de cacau. O cultivo, entretanto, não se estabeleceu naquele tempo e permaneceu uma simples atividade extrativa até anos recentes.

Riqueza Gerando Divisas

Em 1746 Antonio Dias Ribeiro, da Bahia, recebeu algumas sementes do grupo Amelonado – Forastero- de um colonizador francês, Luiz Frederico Warneau, do Pará, e introduziu o cultivo na Bahia. O primeiro plantio nesse estado foi feito na fazenda Cubículo, às margens do rio Pardo, no atual Município de Canavieiras. Em 1752 foram feitos plantios no Município de Ilhéus.
O cacau se adaptou bem ao clima e solo do Sul da Bahia, região que produz hoje 95% do cacau brasileiro, ficando o Espírito Santo com 3,5% e a Amazônia em 1,5%.
O Brasil é 5° produtor de cacau do mundo, ao lado da Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões. Em 1979/80, a produção brasileira de cacau ultrapassou as 310 mil toneladas.
Cerca de 90% de todo o cacau brasileiro é exportado, gerando divisas par o país. No período 1975/1980, o cacau gerou 3 bilhões 618 milhões de dólares.

CHOCOLATE

O mundo civilizado só tomou conhecimento da existência do cacau e de chocolate depois que Cristóvão Colombo descobriu a América. Até então, eram privilégio dos Índios que viviam no Sul do México, América Central e bacia amazônica, onde o cacau se desenvolvia naturalmente em meio à floresta. Hoje, quase 5 séculos depois, derivados do cacau são consumidos em muitas formas, em quase todos os países, e fazem parte da vida do homem moderno. Estão presentes em todos os lugares: nas mochilas dos soldados e nas bolsas dos estudantes, em barras de chocolate de alto valor nutritivo; nos salões de beleza mais sofisticados, nas formas mais variadas de cosméticos; e nas reuniões sociais, através de vinhos e licores. Seus resíduos são utilizados como adubo e ração para os animais.
Saindo da floresta amazônica para conquistar o mundo, o cacau percorreu um longo caminho. Sua história cercada de lenda, está marcada por episódios curiosos, foi usado pelos Astecas, como moeda, provocou discussão entre os religiosos sobre o seu uso nos conventos devido às suas supostas propriedades afrodisíacas e, por muito tempo, foi uma bebida exclusiva das mais faustosas cortes da Europa. Suas sementes, levadas para outras regiões e continentes, formaram grandes plantações que, hoje, representam importante fonte de trabalho e renda para milhões de pessoas.

Valor Energético do Chocolate

O chocolate é o alimento melhor balanceado que existe, contendo uma associação bem equilibrada de cacau, leite e açúcar. Devido ao seu alto índice de carboidratos e gordura, o chocolate apresenta taxas de proteínas bastante apreciável. Um tablete de 100 gramas corresponde a 6 ovos ou 3 copos de leite ou 220 gramas de pão branco ou 750 gramas de peixe ou 450 gramas de carne bovina.
Um tablete de 100 gramas de chocolate ao leite contém:
Gluciídios56gElementos MineirasVitaminas
Lipídeos34g
Protídeos6gPotássio418 mg
Celulose0,5gMagnésio58gVitamina B10,10
Água1,1gCálcio216 mgVitamina B20,35 mg
Calorias550Ferro4mgVitamina PP0,80mg

USO MÚLTIPLO DO CACAU

Muito além do Chocolate

Cacau lembra chocolate. Sempre foi assim, desde os astecas, que em suas cerimônias religiosas incluíam o Chocolate. Agora, do fruto do cacaueiro começa a se industrializar também o suco de cacau, a partir da extração da sua polpa. Com a polpa de cacau pode se fazer ainda geléias, destilados finos, fermentados - a exemplo do vinho e do vinagre - e xaropes para confeito, além de néctares, sorvetes, doces e uso para iogurtes. Existe mercado amplo e imediato, principalmente para o suco de cacau, tanto no país como no exterior.

Pesquisa dá Lucro

Pesquisas desenvolvidas pelo MA/CEPLAC começam a gerar, recentemente, tecnologias capazes de otimizar a produção cacaueira, através do aproveitamento integral dos subprodutos e resíduos da pós-colheita. Este programa, além de contribuir para diversificar a receita das propriedades rurais, pode resultar em incremento significativo da renda líquida do produtor de cacau, tornando-o menos dependente das flutuações do mercado externo, que regula o preço do produto.

Semente Vale Ouro

O cacaueiro sempre foi cultivado para dele aproveitar-se apenas as sementes de seus frutos, que são a matéria-prima da indústria chocolateira. As sementes secas representam no máximo 10% do peso do fruto do cacaueiro. Apenas recentemente é que os 90% restantes começaram a despertar o interesse dos produtores, a partir de estudos desenvolvidos por técnicos do MA/CEPLAC. Uma tonelada de cacau seco, por exemplo, representa 400 a 425 Kg de polpa integral.

A casca também tem uso

A casca do fruto do cacaueiro, também pode ter aproveitamento econômico, conforme atestam pesquisas de técnicos do MA/CEPLAC. Ela serve para alimentar bovinos, tanto in natura como na forma de farinha de casca seca ou de silagem, como também para suínos, aves e até peixes. A casca do fruto do cacaueiro pode ainda ser utilizada na produção de biogás e biofertilizante, no processo de compostagem ou vermicompostagem, na obtenção de proteína microbiana ou unicelular, na produção de álcool e na extração de pectina. Uma tonelada de cacau seco produz 8 toneladas de casca fresca.

Um sabor exótico

O suco de cacau possui sabor bem característico, considerado exótico e muito agradável ao paladar, assemelhando-se ao suco de outras frutas tropicais, como o bacuri, cupuaçu, graviola, acerola e taperebá. É fibroso e rico em açúcares (glicose, frutose e sacarose) e também em pectina. Em termos de proteína e de algumas vitaminas, é equivalente aos sucos de acerola, goiaba e umbu. Algumas das substâncias que compõem o suco de cacau lhe conferem uma alta viscosidade e aspecto pastoso.

De mãos dadas

Estimular a produção de suco de cacau e a abertura de mercados para o produtor, através da soma de esforços e diluição de custos. Estas são, em síntese, as ações que os produtores de cacau objetivam com a criação da sua Associação de Produtores de Polpa e Frutas do Vale do Rio das Contas. O MA/CEPLAC apóia esta iniciativa e, inclusive, copatrocinaram na região cacaueira baiana um workshop "A retomada do Pólo Agroindustrial do Vale do Rio de Contas". A Aprosuco tem sede (em instalação) na própria região cacaueira, na cidade de Ipiaú.

Subprodutos Rendimentos

Subprodutos de cacau com referência a uma produtividade anual de 750 Kg do produto seco por hectare:
Cacau seco: 750 Kg 
Semente fresca: 1.875 Kg 
Mel de cacau: 200 litros 
Geléia: 150 Kg 
Vinagre: 180 litros 
Destilado: 25 litros 
Polpa: 300 a 400 litros 
Suco congelado: 300 a 400 litros 
Néctar: 600 a 800 litros 
Geleiado: 200 a 300 litros
Fonte: www.ceplac.gov.br