sábado, 20 de abril de 2013

Arvores Frutiferas de Maracujá



MARACUJÁ
Passiflora spp.

O maracujá é originário da América Tropical, com mais de 150 espécies nativas do Brasil. Pertencente à família Passifloraceae, é uma planta trepadeira de grande porte, lenhosa, vigorosa e de crescimento rápido, podendo atingir 10m de comprimento. Apresenta grande variação no tamanho, formato, peso, coloração e sabor dos frutos. É rico em vitamina C, cálcio e fósforo. O fruto pode ser consumido ao natural ou na forma de sucos, doces, geléia, sorvete e licor.

As folhas e o suco contêm passiflorina, um sedativo natural. Elas servem também para preparar chá de efeito diurético e para combater febres intermitentes.

Cultivares: São as próprias espécies botânicas: maracujá amarelo ou azedo (Passiflora edulis Sims. f. flavicarpa Deg.), maracujá roxo (Passiflora edulis Sims.) ou maracujá doce (Passiflora alata).

Clima e solo: próprio para regiões tropicais e subtropicais, com temperatura média mensal de 20 a 32ºC, precipitação anual de 800 a 1.700mm anuais, bem distribuída, e alta luminosidade. Não tolera geadas ou ventos frios. Evitar face sul do terreno. Plantar em solos de textura média, profundos e bem drenados. Não utilizar baixadas, solos pedregosos ou com possibilidade de encharcamento.

Práticas de conservação de solo: plantar em nível e manter cobertura vegetal sempre roçada nas entrelinhas. Em áreas com mais de 6% de declividade, construir terraços.

Propagação: Obtenção de sementes: selecionar as melhores plantas do pomar, com frutos representativos do tipo que se deseja produzir. Marcar estas plantas e ensacar suas flores. Fazer polinização manual entre elas, para obter sementes de origem controlada. Ou comprar frutos no mercado e retirar sementes; para o maracujá amarelo, misturar sementes de 10 frutos completamente maduros, ovais, com mais de 150g cada, suculentos, de casca lisa e polpa alaranjado intenso. Produção de mudas: semear o ano todo em regiões muito quentes. Em regiões com inverno demarcado, semear em agosto-setembro, dois meses antes do início das chuvas, em tubetes de polietileno ou bandeja de isopor, regando-os com solução nutritiva ou utilizar sacos plásticos 14 a 28cm, com substrato à base de 2 partes de terra, 2 de esterco bem curtido e uma de material volumoso curtido (bagaço de cana, serragem, palha de café). Acrescentar 1 parte de areia em solos muito argilosos. Adubar com 2 kg de calçario dolomítico e 1kg de superfosfato simples a cada metro cúbico do substrato. Plantar três sementes por recipientes. Desbastar após germinação, deixando apenas a muda mais vigorosa. Controlar preventivamente as doenças no viveiro com oxicloreto de cobre a 0,2 a 0,35% a cada 15 dias na estação seca e a cada 7 dias nos períodos úmidos. Levar para o campo em 60 a 80 dias, antes da emissão da primeira gavinha.

Plantio: de outubro a março. Em regiões muito quentes, pode ser feito o ano todo, desde que haja umidade no solo. Plantar as mudas em covas ou sulcos, com cuidado, para não ferir a raiz e não destruir o torrão. Coroar a planta, fazendo uma bacia de irrigação capaz de conter pelo menos 10 litros de água.

Espaçamento: 5 a 6m entre plantas e 3 a 4m entre ruas (espaldeira).

Mudas necessárias: 500 a 666 mudas/ha.

Covas: 100 x 40 x 40cm ou sulcos de 50cm de profundidade (aberto com sulcador).

Calagem e adubação: de acordo com análise de solo, elevar a saturação por bases a 80%, com calcário dolomítico.

Adubação de plantio: colocar, por cova, ou metro linear de sulco, 30 a 50 litros de esterco de curral curtido ou composto (ou 5 a 10 litros de esterco de galinha), 200g de P2O5, 200g de calcário dolomítico, 4g de Zn e 1g de B. Misturar todos os adubos e o calcário com a terra, pelo menos 30 dias antes do transplante.

Adubação de formação: após o pegamento, aplicar em cobertura ao redor de cada planta, 10g de N aos 30 dias; 15g aos 60 dias, 50g de N mais 50g de K2O aos 90 dias.

Adubação de produção: para uma produtividade esperada de 20 a 25t/ha, aplicar 100 kg/ha de N, 20 a 80 kg/ha de P2O5, 80 a 300 kg/ha de K2O, anualmente, em função da análise de solo. Parcelar esta dose anual em 4 ou 5 vezes, nos meses de setembro, novembro, janeiro e março, antes dos principais fluxos de floração. Aplicar os adubos em faixas de 2 x 1m dos dois lados da planta. Aumentar essas doses em 25%, para produtividade esperada de 25 a 30t/ha, e em 50% para meta de produtividade acima de 30 t/ha.

Micronutrientes: em solos deficientes, aplicar juntamente com a primeira parcela da adubação de produção, no início da estação chuvosa, 2 kg/ha de B e 4 kg/ha de Zn, ou via foliar, com três pulverizações (outubro, janeiro e abril), utilizando calda com 300g de sulfato de zinco, 100g de ácido bórico e 500g de uréia por 100 litros de água.

Sistema de condução: espaldeira com 1 fio de arame liso número 8 ou 10, fixo em mourões de 2m de altura (mais 0,5m enterrado), espaçados de 5 a 6m. Comprimento máximo das linhas: 100m. Fazer reforço nas cabeceiras.

Pragas e doenças: em maracujá amarelo, pulverizar, quando necessário, de manhã bem cedo para não afetar os insetos polinizadores. Controle biológico para lagartas – Bacillus thuringiensis; lagartas, percevejos e besouros – fenthion ou cartap; mosca-das-frutas – iscas atrativas, feitas com 7% de melaço mais fenthion em água. Doenças fúngicas – tratamento preventivo com fungicidas cúpricos. Bacteriose – medidas culturais (sementes e mudas sadias, adubações equilibradas e quebra-ventos); controle químico preventivo à base de fungicidas cúpricos, antibiótico (terramicina) em situações críticas (curativo), no máximo duas vezes por ano. Fusariose – prevenir com medidas culturais que favoreçam boa drenagem e manutenção da integridade do sistema radicular; controle – erradicação.

Podas: Poda de formação: conduzir a muda com haste única. Desbrotar periodicamente, até que ultrapasse o arame de sustentação em 20cm. Despontar. Escolher duas das brotações laterais para formar os cordões horizontais, um para cada lado da planta. Manter todas as brotações surgidas desses cordões, pendendo livremente na vertical (cortina produtiva), eliminando-se as gavinhas até 60cm abaixo do arame. Poda de produção: no início da brotação primaveril, com umidade no solo, cortar os ramos da cortina produtiva 60cm abaixo do arame. Deixar secar, retirar e queimar os ramos podados.

Polinização: natural: exclusivamente por mamangavas. Respeitar horário de pulverização da cultura para não afetá-la (matinal, para o maracujá amarelo e à tarde para o roxo). Atraí-las com culturais de flores amarelas nas proximidades do pomar (girassol, Crotalaria juncea, Cassia ssp.). Artificial: manual, complementar e cruzada. Fazer entre 13 a 17h (maracujá amarelo), nos picos de florescimento, por movimento ascendentes nas flores, com as pontas dos dedos. Coletar pólen de diferentes flores, distantes umas das outras, antes de iniciar a operação de forma contínua.

Outros tratos culturais: manter as entrelinhas permanentemente roçadas. Trilhar as linhas 0,5m de cada lado. Escorar espaldeira em áreas sujeitas a ventos fortes e durante o pico de produção (segundo ano).

Colheita: efetuar duas vezes por semana, recolhendo os frutos do chão, de novembro a julho. Pico de safra de fevereiro a abril. A ausência de calor, de umidade e de dias longos determina entresafra, tanto maior quanto mais ameno o clima local.

Produtividade normal: 20 a 40 t/ha.

Culturas intercalares: Crotalaria juncea, mucuna. Não plantar algodão e abacaxi.

Comercialização e armazenamento: fruto perecível, comercializar antes que desidrate, em caixas tipo K, sem retorno, com cerca de 16kg de frutos (ou caixa M de mercado aberta, com retorno). Ambas devem conter frutos classificados. Frutos para processamento industrial: comercializados a granel ou em sacos tipo rede. Comercialização do suco: suco natural (14º Brix) ou concentrado (50º Brix).


Fonte: Boletim IAC, 200, 1998.

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